Translate

domingo, 2 de dezembro de 2018

o elogio do acaso



Li em algum canto dia desses, um distante desses dias, diga-se de passagem, que é ‘nosso papel manter conosco o que vem até nós como fruto do acaso’. Guardei para mim e repito aos quatro ventos. O acaso não passa aqui ileso. Se ele carrega um pedacinho qualquer de alguma identidade, tomo as rédeas e interfiro em sua jornada.

Como tenho uma certa compulsão por expressar sentimentos que me entornam o peito (é que sou superlativa mesmo! Não sinto, só. Os sentimentos derramam, entornam, vão sempre além de mim...) 

Então, como eu ia dizendo, quando (sempre que) me derramam assim, gosto de dizer, de falar. Minha paixão pela palavra é algo explícita. Sim, é mais absoluta pela palavra escrita, mas também escancarada, mesmo que um degrau abaixo, pelos dizeres.

Um professor de jornalismo me contou que sou expressiva. Boto em palavras o que vou sentindo; querendo que, quem me lê, sinta o mesmo.

Mas voltando para o propósito inicial deste texto, o acaso, não lhe dou espaço. Todos que vêm chegando aos meus dias, carregando uma nesga qualquer de identidade, quero trazer para meu círculo relacional, para alcance de minhas palavras, porque nelas sou eu inteira. Aqui clamo e proclamo desde sempre: eu sou é eu mesma!

Uma vez em meu território, sob o jugo de minhas palavras, meu afeto e minha cozinha, não me escapam mais e saem do território do acaso para o campo reiterado, frequente ou mesmo ocasional, do relacional. Amigo(a), colega, companheiro(a), amor(a), amante, parceiro(a).

E nos pratos misturam-se outros vínculos; nas palavras, outros afetos; nos temperos, muitas conexões; nas músicas... ihhhh... já era, acaso!

Esta história toda é para contar que outro dia, dia desses próximo, desta feita, ganhei uma conexão literário/poética para esta minha filosofia sentimental.

Estava em Itabira, que já deixou de ser acaso em meus dias, quando uma conexão recente, atrasada no ímpeto de me fazer uma gentileza, me disse:

- Eu iria trazer, mas no meio do caminho... (à moda itabirana!)

Aí um clique! No meio do caminho... o acaso...

Pensei que se assumimos este papel de manter em nossos dias quem veio até nós assim, inobjetivamente, sem querer, de surpresa e a gente se identificou, a pedra no caminho não somente faz o acaso, mas se torna seu elogio.

Havia uma pedra no meio do caminho...  E eu a quis para mim, investindo em uma insinuante conexão.

Muita gente na minha vida, as muitas amizades esparsas em todo canto que piso, são prova de que vale querer, vale fazer!

Porque,sim, podemos ser ruins; o homem é lobo do homem, deveras, mas, paradoxalmente, é sua melhor surpresa. Razão permanente para o ‘quereres’.


sábado, 25 de agosto de 2018

pedras nos caminhos





Minha vida conteúdo está tão overloaded, tão sobrecarregada, digo, que dia desses, dentro desta semana, voltando de BH de trem, com meu pituco, consegui ler páginas guardadas de jornais antigos que no dia D até li, mas não consegui dedicar a atenção, o tesão e a vontade de poesia e significados que os temas mereciam. Vinte e um, vinte e oito de julho e 04 de agosto! Hoje são 25 de Agosto, só para constar.

Vinte e um, vinte e oito de julho e quatro de agosto. Três jornais. Mais especificamente o caderno Ilustrada da Folha de São Paulo destas datas.

Pois... comecei na ordem inversa, pelo dia quatro de agosto e ali parei e fiquei.

Um lançamento literário de José Miguel Wisnik, tinha todo o potencial para me fazer querer mais que só ler a reportagem. Além disto, ler o livro, escrever, deixar aquelas ideias produzirem outras e etc, etc.

Pois... sem mais contextualizações, o livro, que ainda não li, mas já estou doidinha, fala do impacto da mineração na obra Drummondiana. A Maquinação do Mundo.

Por uma espécie de acaso, Wisnik visita Itabira e o contato com a realidade geográfica, aquilo tanto escavado, relevo consumido pela máquina mineradora lhe causou fundo abalo por enxergar nitidamente o impacto da máquina do mundo, acontecimento histórico roteirizado pela mineração mineira, então epicentro da mineração brasileira.

Diante da dimensão deste impacto da atividade mineradora em Itabira, da enormidade histórica da mineração do mundo e, sobretudo, na cidade, se consumou a consciência e a percepção da força da máquina do mundo colocando-a diante do olho guloso do universo.

Marcas desta epopeia estão presentes em toda obra Drummondiana, fazendo sua mitologia íntima conjugar-se com a geoeconomia do mundo.

Pois, as pedras no caminho, as do título são nos caminhos de Itabira, de Drummond e as que se interpuseram, recentemente, no olhar de Wisnik sobre a obra do poeta.

O olhar de Wisnik já tende a me deslocar ideias e pensamentos de modo estimulante. Seu olhar sobre a história da geoeconomia ferrífera de Minas e sua influência no ser mineiro tem um peso mais forte, identitário, digamos! O olhar de Wisnik sobre um aspecto da obra Drummondiana resvalando sobre o ser mineiro me decola a vontade de significado porque mexe com gosto, identidade e poesia!

sábado, 23 de junho de 2018

diagnóstico: sabedoria popular


Esta semana fui nocauteada, de súbito, por algo sem nome, sem diagnóstico e sem remédio que, urgente e terrível como veio, passou! No auge do terror, pensei comigo: como vou fazer para cuidar do meu filho? Como vou dar comida pra ele, levá–lo à escola,  não consigo sair da cama, não consigo sair de dentro de mim. Até pensar dói. Não sei o que foi, não sei descrever, só sei que foi assim.

E aí, dias depois, comentando com minha mãe do que aconteceu comigo, porque o casulo no quarto e na cama dois dias, eu que sempre tudo tanto, ela comentou que sentiu algo parecido há poucos dias. Algo também sem nome, sem diagnóstico, sem explicação que a derrubou. Minha mãe que é 330V absoluta, all the time.

Aí é que vem a melhor parte desta historinha doída: ela me contou que isto sem nome, Maria que, junto com ela, nos criou a todos aqui em casa, conhecia e classificava. Esta doença, este mal que vem e vai sem se explicar e sem deixar rastro é ANDANÇA. 

Um mal que não estaciona, não faz casa, passa por nós, a ANDANÇA. Adorei! O olhar e sabedoria popular vão muito além do conhecimento, dos fatos. Têm um peso cultural e um saber (sabor) cotidiano que, algumas vezes, conversam com nossa razão de foro íntimo, aquela mais dócil e flexível, e nos fazem aceitar sem questionamento, independente do quão céticos sejamos!

Aqui rolou um entendimento físico, até. Compreensão instantânea, só de ouvir o nome. Tá! Eu tava de andança! Mas era uma andança das brabas! E, sem médico, sem remédio, sem 
diagnóstico, andou, pegou seu rumo e foi–se embora!

Deixa eu passar, agora, a palavra a vocês... Vocês todos, alguém tem algum caso interessante de sabedoria popular, de sabores e saberes do lido cotidiano? Conta aê pra gente! Porque este é o típico caso que, se a gente conta na mesa de boteco, aparecem vários outros similares! Então, não se acanhem e contem se têm alguma cartinha na manga!! conta, conta, conta!!! 

sexta-feira, 8 de junho de 2018

pintura animada


A composição dos frames, de imagens visualmente como que pintadas à mão, nos passa a sensação de soma e mistura de duas artes. De fusão. As nítidas pinceladas nos transportavam para um outro mundo além da película... 

Com amor, Van Gogh é uma animação 100% feita com tinta à óleo, com 65 mil quadros. Foram necessários 125 profissionais para pintá –los, todos manualmente. Depois da gravação em vídeo com os atores, cada frame do vídeo recebeu uma pintura a óleo, ao estilo do pintor.

Van Gogh
multiplicado!

Nada nunca pronto. Cada frame é uma composição. De cores e imagens...  e narrativas. E carregado de familiaridade porque a linguagem de Van Gogh é universal.

Jogo gostoso que se nos sugere é adivinhar quais frames do filme originam de quadros de Vincent, quais pedaços da estória foram compostos em função destas pinturas e quais personagens são coadjuvantes de sua vida ou de sua arte. O mesmo com os cenários

Legendando um de seus quadros, Vincent nos explica a morte enquanto caminho para as estrelas. Caminho feito a pé, quando morremos pela senilidade. E é pelas imagens que embarcamos em uma viagem maior, decodificando cada frame do filme, dentro do roteiro, dentro da biografia do artista ou dentro de sua arte.

 A história da artista contada através de suas pinturas ambiciona refletir seus sentimentos e histórias através de sua arte. Há momentos em que a narrativa se perde no deslumbramento com  seu próprio universo, mas é quase impossível não se deixar levar por suas pinceladas, o que torna os deslizes, quase todos, perdoáveis.

Diante de um cinema de animação óbvio e ‘limitado’ pela tecnologia, experimentações como ‘Com amor, Van Gogh’ trazem um respiro à arte, além de outro olhar sobre o processo criativo de um gênio de todos os tempos.

terça-feira, 29 de maio de 2018

outra confissão digital e uma ideia leGAL


É que eu gostei da história deste single da Gal e quis, também falar, escrever dele, introduzindo–no através de minhas notas pessoais e particulares, numa preliminar de foro íntimo (sugestivo, han?!).

Pois, começando pelas tais notas, é uma (outra) confissão digital. É o seguinte: que eu sou é eu mesma, isto eu já contei trocentas vezes, já sei, mas a novidade da revelação aqui é que ‘eu mesma só existe através de um mundo de outros, vocês e eles. Aha!!!! Vocês não imaginavam, né!?!

É assim: eu me construo permanentemente por influência e referência alheias, sempre e muito. É por isto que poli são várias! Eu sou é todos nós, juntos e misturados! Meus grandes castelos de música, literatura, arte, lugares, jantares, amigos e amores se ergueram por referências múltiplas; aqui, ali, em qualquer lugar.

Pois então, vamos prosseguir, senão a Louca se perde em seus devaneios. A referência de hoje é uma rádio lá dos cafundó do sul, bem lá embaixo, em nossa cartografia tupiniquim. A estação Itapema de Santa Catarina, indicação antiga de um amigo, só agora consumada, me trouxe o novo single da Gal, recém lançado. A referência é a rádio portadora da novidade, não a cantora. Porque a Gal, esta já anda comigo há muitas voltas deste mundo!

Pois bem, quando Itapema me lançou a música naquela voz absolutamente familiar, pungente e marcante e eu não conhecia, parei tudo e fui pesquisar. Eu me pretendia estratosfericamente atualizada no repertório da Gal (último lançamento, ano passado: Gal Estratosférica!). E descobri uma historinha original por trás da nova canção e sua iniciativa.

Aqui é que vem a parte dois da história, o que li e quero repetir, ao som de Gal, Fatal, Tropical, Legal, Plural (nomes de alguns álbuns em sua discografia!).

Estavam sentados proseando em um buteco (não, não é caso mineiro, é coisa de carioca –
Marcus Preto pós sessão buteco, já com a Gal!  
bahiano, ou vice–versa. É só licença poética, dá licença!) o poeta carioca Omar Salomão, filho do Waly Salomão e Marcus Preto, produtor dos trabalhos recentes de Gal, quando o primeiro falou para o segundo que toda vez que escutava Gal cantando a música Sua Estupidez, de Roberto e Erasmo, se enchia de certeza de que ninguém diz “eu te amo” como ela ali, naquela canção.
  Ao que o segundo perguntou ao primeiro porque ele não fazia uma letra sobre isto.

Letra feita, a “idéia” foi enviada ao músico capixaba Silva, parceiro da Gal, como tecladista e violinista, em outras iniciativas, para que musicasse. Ele se inspirou em Amy Winehouse e Etta James, paixões de Gal, e deixou Pupillo, da Nação, arranjando, na direção musical.

E o resultado é, por enquanto, isto tudo tanto que podemos ouvir aí no link.  Gal se traduzindo com “Palavras no Corpo”, primeiro single sinalizando promissor lançamento da artista em Agosto, pela Biscoito Fino, como nos tem marcado sua produção, desde Recanto, sobretudo!

Deixo com vocês, com a “Palavra no Corpo”, Gal:

“Ninguém diz 
eu te amo
Ninguém diz
eu te amo
Ninguém diz
eu te amo
como eu…”

segunda-feira, 14 de maio de 2018

você que me continua...



As saudações, cumprimentos e congratulações em torno da celebração do dia de mães, que acaba de passar por mim, me trouxeram lembranças recheadas de uma vontade de confissão (já deu pra perceber que sou chegada em uma confissãozinha escrita e digital, né?)

Saindo de casa para a homenagem da escolinha do meu Pituco, coloquei Arnaldo Antunes para nos trilhar o caminho, no ritmo. Não imaginei que teríamos ali,  naquele momento, mesmo sendo o músico/autor quem era, uma trilha sonora tão íntima e pessoal e tão alinhada a nosso momento. Não foi a primeira canção tocada em meu aparelho sonoro celular, em modo streaming, mas a segunda, esta sim, me despertou um turbilhão de lembranças feitas sentimento. 


“Você que me continua”, canção do álbum A Curva da Cintura, do Arnaldo com Edgar Scandurra e participação de Toumani Diabaté, músico do Mali, África, me transportou à minha vontade de maternidade e sua justificativa (para mim mesma), da qual tinha um pouquinho de vergonha de contar e explicar.

É um tema que não costumo contar paratodos como me sói fazer quase sempre, contudo, aberta e escancarada que sou nas questões sentimentais. É que meu coração é dado a se manifestar em tudo, com todos, via sorriso e dentro  dos olhos. Assim, por ser tão poliana, escancarando sorrisos e positividade pelos quatro ventos, meu sentir fica ali, exposto na praça.

Mas este não, este guardava para mim, até ontem. É que em meio ao turbilhão provocado pelos sentimentos e homenagens em torno desta data querida, o dia de mães, me deu vontade de confissão, como já contei alguns parágrafos acima. E, de novo, paratodos! E estou aqui, pós etapa papel ontem à noite na cama, passando à limpo, para meu diário digital, esta Louca que vos fala.

O agnosticismo há muito diagnosticado (coincidência de sons!) e todas as incertezas acerca de nosso fim (e nossa origem, portanto) me provocavam um medo claustrofóbico até, pode? Diante de um nível elevado de temores e incertezas, a maternidade tinha (e tem), para mim, um viés de continuidade. PERMANÊNCIA. Nas ideias, nos valores, na formação, no gosto, um pouco de cada lado ou tudo junto e misturado. E eu tinha vergonha porque soa egoísta, né? Tipo quero ser mãe para eu ser eterna... eu permaneço! Só que não! Vai por mim e vê só! (quer dizer, lê só!).

 É que hoje, agora, perdi a vergonha. Escutando Jeneci (surpreendentemente) feito trilha sonora na festinha das crianças, na escola, meu pensamento foi até Arnaldo e dali ao Lourenço e à continuidade que ele significa para mim e na dimensão de tudo tanto. Convivendo, ensinando, educando vão ficando pedaços meus, que me significam e identificam, para ele, para mim e paratodos que me traduzem páginas da vida. Mas é, sobretudo, cumplicidade em construção, eu no outro, o outro em mim! No café, na pimenta, no jornal, no All Star, na música, na cozinha, na poesia. No amor crescente e compartilhado. VOCÊ QUE ME CONTINUA!






domingo, 8 de abril de 2018

combustível de vida

Deixa lhes confessar uma intimidade... tenho tesão pelo novo! Me atrai, física e espiritualmente. Objetos, culturas, processos, produtos materiais ou culturais, apresentações, tudo junto e misturado ou cada um no seu quadrado, não importa. Quero conhecer, aprender e, se gostar, desfrutar do novo e de novo.

E gosto mesmo é daquela porção radical, que traz nova ‘gramática’, novo ritmo, novo olhar. Quando temos de nos desfazer de preconceitos e paradigmas, nos desarmar, digamos, para assimilar aquilo que se nos apresenta, a princípio, obscuro. Temos de nos desvirginar naquele universo, entende o ângulo, as cores e a verve de meu prazer?

Me lembro de um show de Afro Jazz a que fui, absolutamente como descrevo acima. No princípio, foi só estranhamento. Mas devagar fui digerindo, aprendendo, entendendo e gostando, por fim. Me entreguei à música e deixei que ela conduzisse os movimentos de meu corpo, que não consegui
coreografar em passos, dá pra entender? Era uma entrega e ponto. Saí dali com um CD na mão (foi antes da era streaming) e já louca para ouvir e conhecer mais do mesmo.

E com Omindá foi um pouco assim. O estranhamento não rolou na mesma medida, mas o aprendizado e o gosto paulatinos foram muito próximos.

Omindá é o novo álbum, lançamento, do cantor, compositor e multi-instrumentista Andre Abujamra. A temática é da água, influenciada pelo Candomblé, e a complexidade na elaboração e no formato do projeto faz dele um épico megalomaníaco.

A impressão, depois das primeiras audições, é de entusiasmo e animação. Arranjos complexos e elaborados na formação e na estrutura, mas suaves e instigantes aos ouvidos.

As pesquisas em torno de Omindá o levaram a alguns países. Argentina, Bulgária, Estados Unidos, França, Grécia, Índia, Japão, Jordânia, Mali, Portugal, República Tcheca, Rússia, Turquia e Uruguai (ufa!!!) em projeto financiado por ninguém mais que ‘si mesmo’. Não tem Rouanet, patrocinador,
nada. É um projeto pessoal pelo gosto, pelo prazer, pela vontade de mais.

No show de lançamento, no Auditório Ibirapuera, em SP, o músico comandava 40 pessoas no palco, sincronizados, todos, com material gravado de artistas de 13 países aparecendo na tela (gravados, todos, por ele), em locações pelo mundo e emendando uma participação, ainda que não presencial, em telas convergentes.

A maior parte dos músicos, ele não conhecia. Fazendo perguntas para o Google do tipo o melhor flautistas indiano, entre outras, entrava em contato, trocava informações, músicas, editava, pedia acréscimos e concluía. E Abujamra fez, ele mesmo, as partituras para todos os instrumentos e tudo foi gravado para o projeto.

A base musical foi da Orquestra Filarmônica de Praga e do Mistério das vozes Búlgaras, um coro de senhoras baseado em sua capital, Sófia. Participações de cantoras portuguesas, músicos beduínos gravados de madrugada no deserto da Jordânia, diferentes artistas brasileiros, entre outras dão o tom de experimentalismo, novidade e o vulto do projeto.

A cada audição dá vontade de mais. Mais do mesmo e mais de outros experimentos. Igual, mas diferente!