a louca da casa
a louca da casa é a imaginação. são estes devaneios autônomos que nos tomam. todos os pedaços de pensamento que ganham vida própria e deixamos crescer indefinidamente. as possibilidades. os personagens. as opiniões inflamadas. os outros. a louca da casa é um livro da rosa montero que me despertou a vontade de escrever sobre tudo e sobre qualquer coisa. a louca da casa é o diabo na rua, no meio do redemoinho.
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domingo, 31 de maio de 2026
EU, CINEASTA DE MIM
quarta-feira, 18 de outubro de 2023
pedaços de mim
Eu sou assim, quem quiser gostar de mim, eu sou assim...
Virginiana e poliana, duas predestinações que não acredito,
mas me definem e me defino. Não acredito, aliás, em predestinação nenhuma.
Somos quem podemos ser, quem queremos, quem buscamos, quem construímos.
E comigo, a vida e os anos foram vindo, eu fui me construindo
assim e fui gostando e seguindo ou desgostando e contornando. E quanto mais cética me torno, mais me acredito, me vejo
e me aceito dentro destas duas quase esotéricas definições.
Hoje, acredito-as particularmente importantes para meu
(permanente) processo de recuperação. E minha superação ao anunciado impossível, em meu entendimento e
leitura, não é feita de situações e/ou atitudes admiráveis. Não. É feita de
cotidiano, do (re)aprendizado diário. Rotina.
Ser poliana, por exemplo, apesar de sugerir uma boba alegre,
implica na construção de nova/outra gramática para a vida. Significa também
desenvolver um outro olhar. Qualquer coisa dita (ou feita, ou sabida) ruim que
você consegue perceber outro(s) ângulo(s) e girar a cabeça. Importantes, as duas etapas.
Ter um insight e segui-lo, instintivamente, mas motivadamente.
“Peraí, se você olhar por este lado, vai ver que...”
É que na roleta da vida, bom e ruim seguem sendo conjugados
e você sempre pode olhar pelo outro lado.
É uma capacidade passível, pessoal e seguramente aberta ao
desenvolvimento. É um aprendizado, até tornar-se natural.
E torna-se. Hoje, é parte de minha identidade. “Se não
fossem os sorrisos, se não fossem as cores, não seria eu.
E não acabou. Tem mais um pouquinho! Para ser eu, tem ainda
tudo que pode significar ser virginiana, mais, ser virginiana poliana.
Sim, metódica, disciplinada... mas bem humorada, fazendo
piada de minhas falhas. E de minhas regras e métodos.
E me delicio com meus contornos e arestas para tudo tanto,
com uma teoria pessoal que diz que o melhor de tanta regra é a infração. Sem
culpa, sem pecado, sem vítimas. É simplesmente me permitir porque eu quero,
porque eu posso.
Mas, não se engane. Até as infrações são regradas. Obedecem
a um quando, com que frequência e como pre determinados e acordados com minha
consciência.
E ser tanta regra, tanto objetivo e disciplina foi também,
fundamental em minha reconstrução.
No Hospital Sarah Kubitschek, terceiro que fiquei , já de posse de alguma razão, fiz a um dos médicos algumas perguntas sobre meu processo de recuperação e reabilitação (do quase nada que lembro dos hospitais)
Ele me respondeu que poderia ser tudo ou poderia ser nada.
Que traumatismos cranianos eram uma incógnita na recuperação, muito mais um tão
grave como o meu. Eu estar ali já era
uma puta vitória, com passos enormes e muitos ganhos (claro que ele não falou assim, é a paulistana que segue reverberando em mim, para sempre, quiçá!)
Pois, sim, decidi que não tinha vitória ainda e que minha
recuperação seria tudo. Se ela não viesse inteira, eu a reconstruiria, peça por
peça, virginianamente, com todas as regras, métodos, disciplina. E
polianamente, que o humor nunca me faltaria.
E sigo assim, cotidianamente, para sempre em recuperação.
Esta é minha explicação, meu verso melhor ou único, meu tudo
enchendo meu nada.
P.S. 1 - Este texto dever ser do ano seguinte pós acidente e eu, em pleno vácuo da memória, começo citando uma de minhas maiores paixões musicais - Paulinho da Viola
P.S. 2 - Fecho o texto citando Drummond, uma outra paixão (esta, literária) desde sempre, que retornou forte para meus dias, recentemente...
Sempre em (re) construção, EU SOU É EU MESMA!
domingo, 25 de junho de 2023
frio ou calor, qual a sua 'praia'?
Frio descompensado destes dias de inverno gera caloroso (não calorento) debate, que pede mais palco
Sou friorenta. Muito! Mas prefiro o frio ao calor, sem dúvida ou hesitação, definitivamente. Não gosto de sentir frio, mas aí são outros 500.
Dia destes, diante de um frio cortando até a alma, incorporando as sensações provocadas pelo tempo, engatilhamos rico debate, na cozinha da Cooperativa onde trabalhamos, eu e Sarah, colega cooperada, sobre as vantagens do frio, ante o calor e vice versa.
Argumentos ‘furiosos’ apresentados de lado a lado, ela verão e eu inverno, ficamos na promessa de estender invencivelmente (as duas) este debate, já que o tempo do café não era suficiente para nossos irrefutáveis argumentos, eu na lareira e ela na praia.
Tenho uma teoria vencedora, que tem adesão de todos que a ouvem. Ficar quentinha no frio é muito melhor que ficar fresca no calor por diversas razões e eu listo algumas aqui.
Escrevo esta dissertação direcionada a ti, Sarah, para você aderir irremediavelmente aos meus argumentos vencedores. Você vai ver que eles são irrefutáveis. Seu trabalho, então, é construir os teus, uma vez que, derrubar os meus, está fora de questão.
Vamos às listas de cada cenário, cada condição, cada clima. Primeiro a lista vencedora – o que é bom no inverno!
1 – A lista de coisas mais prazerosas de fazer no frio é extensa e quase total, porque é complexo achar coisas boas de se fazer no calor. Vamos a elas.
– Comida. Não importa se comida leve ou pesada, falo aqui do ato de comer. No inverno, o ato de comer ganha um espaço especial em nossas programações sociais e românticas.
– Trabalhar. Sim, a gente fica mais produtivo, rende mais, sem suor, sem desconforto, sem ficar abaixando a temperatura do ar-condicionado toda hora.
– Estudar ou ler, sentado ou deitado, lazer ou com compromisso de prova avaliando. É gostoso ler no frio. Com um capuccino, faz o cenário ideal. Parar para ler no calor me soa melado entre as pernas e nos vãos dos braços, como um esforço para ler.
– Ver filmes, na tv, Netflix, TV à cabo ou cinema. Sem sombra de dúvidas e com cobertas ou cachecol, acompanhando a pipoca (até ela se encaixa melhor no inverno).
– Cozinhar (que para mim é lazer) também não tem questionamento. Ficar de pé, picando, separando, esquentando, mexendo, ralando, provando, assando, fritando, suando? Com o frio, os aromas ficam todos ricos e experimentais e o vinho acompanha lindamente, com os exercícios do ato em si, mantendo a boa temperatura do corpo e a endorfina alta!
– Limpar a casa, a cozinha, o banheiro... sim, porque de afazeres cotidianos também é feita a vida... No calor, só é bom quando tá rolando uma contabilidade forte de gasto calórico e, mesmo assim, se você for muito poliana, de ficar procurando o lado bom das coisas.
– Falando em gasto calórico, treinar... na academia, em casa, na caminhada... no calor, só é boa a parte de chegar em casa e tomar uma ducha com chuveiro desligado! No inverno, é bom tudo, aquecimento, esforço de peso, esforço aeróbico. Endorfina em forma de calor no corpo em tempo gelo austral.
– Viajar. Com malas, bagagens, mapas, roteiros, programações, aprendendo do trânsito e roteiros locais, aprendendo do transporte local, visitando museus, palácios, programas culturais, conhecendo a culinária... vixi, 8 pontos para o inverno e 3 para o verão... Porque viajar não é 10, é 11!
- Dormir. Alguém ousa comparar dormir no frio e dormir no calor? Dormir enrolado e enroscadinho no frio não tem comparação com dormir estatelado e aberto na cama, sem encostar uma parte do corpo em outra ou sem encostar em quem dorme com você para não melar. Isto, falando de dormir, porque falando de transar, o gosto é subjetivo (e peculiar, diga-se de passagem).
– O tema transa no calor me leva para o lado mais romântico desta história. Namorar. No frio ou no calor? Responde, mas responde para si. Você tem coragem de dizer para si que prefere namorar no calor? Abraçado suado, com as camisetas levemente molhadas (ou muito) embaixo do braço, com um cecê nele ou nela ou nos dois... romântico... aff!
Pronto, enchi as duas mãos...
Agora vamos à lista do calor:
– Nadar ou se molhar, corpo inteiro. Na piscina, no mar, na lagoa, na cachoeira, no rio, tudo, tudo é melhor, com força, no verão, no calor. Mas quantas vezes por semana você se molha assim, sem contar com o chuveiro desligado, do banho de mangueira ou no tanque.
– Sentar num buteco à sombra, com mesas na calçada, uma
brisa boa, sem melação e sem fila... aqui também, com que frequência cotidiana
você pode fazer isto? E qual o seu controle sobre as outras variáveis que
compõem a cena?
–Tomar aquela ducha desligada, aberta no máximo, depois de
uma corrida (único ponto que me ganha!)
– Ficar no ar condicionado pleno (isto é programa?)
– Alguém tem mais algum argumento? Você, Sarah, tem alguma
carta na manga?
sábado, 29 de abril de 2023
Labores e Sabores cotidianos
Numa prosa gostosa, daquelas de cozinha, com gente afinada
com a gente, rolou a pauta de labores manuais, no campo do lazer e do prazer.
Fiquei pensando e não encontrei nada, nem plantio, nem
artesanato, nem artes plásticas, nem instrumentos musicais. E fiquei
desapontada comigo mesma. Como assim, uma pessoa tão afeita a prazeres
artísticos, fora dos afazeres cotidianos, que terminam por produzir resultado
no espírito não ter um rito cotidiano? Como assim, eu não ter nenhuma atividade
extra oficial que entregue prazer.
Ensimesmada, não me entreguei e fiquei repassando meus
afazeres e prazeres diários, um a um. Um dia teve o crochê, é verdade, mas vão
aí décadas que nem encosto em uma agulha ou um novelo de linha. Música, só o
ouvido, a pesquisa, os mp3, rar e bits correspondentes. Artesanato, nem de
forminhas de brinquedo no barro, com meu filho. Arte, os muitos museus que
visito e admiro e ponto, cabô.
Fiquei passando e repassando, na cabeça, uma lista de possibilidades até que encontrei algumas, e pensei que são mesmo o que melhor me define!
A cozinha. Não a cozinha do dia a dia, mas a cozinha
social, aquela da hora do prazer e para amigos do coração, que pedem um
temperinho na medida pessoal. A cozinha, com toque personalíssimo das mãos e
dos sentidos ativos e atuantes, a da alquimia de sabores experimentais, a todo
vapor.Este texto, fruto de um prazer cotidiano (no tema e na
prática), nasceu em uma prosa no cafezinho do trabalho! Reverto, assim, a
pergunta! Você tem um hobby, Eddie?
sábado, 8 de abril de 2023
Filme Marte 1 mostra universo dentro de casa
Os conflitos dos entes de uma família, iguais, mas
diferentes, cativam, via identidade
Flashes do contexto de cada ente familiar, ao princípio, já
me fisgaram por mostrar a inteireza da história de uma família negra protagonizando,
reunindo diferentes personalidades e rotinas, dignas, humanas escapando aos
clichês das narrativas que delegam aos negros papeis secundários, criminosos ou
estereotipados.
Nos papeis principais, a família inteira, pai, mãe, filho e
filha, e seus diferentes fragmentos de sentido compõem a narrativa.
Um roteiro polissêmico. Cada qual com sua frustração,
contradição, dor e delicia. Todos enfrentando as dificuldades de uma família
negra, classe média baixa, em um Brasil em tempos de Bolsonaro, o que a
televisão da família não nos deixa escapar e confrontar com os sentidos que emergem
de tal cenário sociopolítico.
O filho quer ser um astrofísico, a filha é uma ....
homossexual (não me lembro de indicarem a profissão ou qualquer outra
característica identitária), a mãe uma doméstica e o pai um porteiro. Daí se
irradiam múltiplos conflitos e sentidos, que bem conversam entre si. E conosco.
A trilha sonora reflete bem esta polissemia e também dialoga
com o filme, personagens e sua trama pessoal. Indo do funk ao samba, os
personagens traçam sua história particular na medida de seus sonhos, dos mais
terrenos e cotidianos aos intergalácticos.
Como a mãe diarista, que precisa de mais clientes; a filha
homossexual que quer sair de casa e morar com sua amante ou o pai que sonha com
uma carreira futebolística estelar para seu pequeno, que sonha, este, visitar
outro planeta, através da missão espacial, Marte 1!
Este filme sensível e polissêmico me conectou imediatamente
a uma frase que li por aí: existe um universo em cada casa. Sua abordagem de
relações familiares em sua inteireza nos posiciona como que defronte a um
espelho, apesar de todas as diferenças ali retratadas. É uma família, tão peculiar quanto a nossa,
quanto todas. Igual, mas (muito) diferente.
Merece nota a cumplicidade dos irmãos, dentro de seus
infinitos particulares. Nada parecidos, em nada, um se identifica na diferença
do outro e ponto. E isto é suficiente para se entenderem plenamente.
Obstáculos, dilemas e travessias de relações humanas guardam
uma dignidade muito forte pela simples identidade. Todos temos conflitos
internos (e externos) e tendemos a nos reconhecer na dificuldade do outro.
É tão bom sentir que a gente cabe no mundo, fala sério?
Marte 1, com direção de Gabriel Martins, teve sua estreia internacional no Festival de Sundance e foi o filme brasileiro escolhido para concorrer à vaga nos candidatos ao Oscar de Filme Estrangeiro. Mas não rolou. Merecido era, quer dizer, é, sobretudo frente à abordagem de tantas questões sociais prementes no Brasil, mas, e os outros candidatos?
#marte1 #cinema #polissemia #sundance #oscar
sábado, 5 de fevereiro de 2022
ADAPTAR PARA SOBREVIVER
O contágio brutal e incessante da humanidade pelo Coronavírus, nos jogou em uma encruzilhada, quase sem saída. De adaptação ou adaptação.
Como se relacionar, como crescer e procriar, como
conviver, com o distanciamento; ou pior, o isolamento, como fio condutor das
relações da humanidade sobrevivente? Pois, vamos nos adaptando.
Sim, temos conseguido sobreviver à COVID 19 e suas
mazelas respiratórias, mas a duríssimas penas, com restrições muito severas,
que nos impõem um distanciamento que contraria, portanto, nossa continuidade,
via reprodução.
O vírus, em seus reiterados ciclos, aprendemos com o
tempo, sobrevive em cima de mutações intermináveis, com o surgimento e
alastramento de novas cepas. E aí, quando nos iludíamos com um contágio em vias
de moderação, nova variação ribonucleica do ‘monstro’ nos trancava de novo e de
novo e de novo. Iludíamos, porque depois de tantos anos nos distanciando, não
nos iludimos mais e aprendemos que não podemos sair de nosso círculo, feito
casulo. Demorou, mas quando conseguimos nos condicionar assim, a mortalidade
despencou, em todo o globo.
Seguimos, mundo inteiro, em grandes cidades, grandes
metrópoles, mas acondicionados em nosso casulo familiar ou de convivência,
milhares de comunidades autônomas formando cada sítio, de qualquer esfera
urbana. Serviços remotos e sistemas delivery, que já eram uma reflexo indireto
da era digital, proliferaram exponencialmente, naturalizando-se (e isolando-nos)
em todo o globo.
Ainda acontecem desvios da curva, aqui e ali,
humanos que somos, seres relacionais na essência. Ou também algum meio
improvável de contágio que ocorre de ‘repentemente’ e se dissemina na
velocidade da luz.
Diante de tantas mudanças tecnológicas e biológicas,
através do tempo e através desta pandemia, Darwin se mostra mais atual que
nunca. Adaptar para sobreviver fez-se lema, nosso, mas também do vírus. Mutante
em sua essência, o Coronavírus segue se reconstruindo, RNA a RNA, de modo a desviar
de nossa prevenção e seguir nos contagiando, seres hospedeiros.
E nós seguimos nos adaptando, distantes, mas próximos, comportamentos e costumes desconstruídos na essência e reconstruídos em cima de valores avessos à nossa humanidade. Tão longe, tão perto, ‘vida remota’, a todo vapor.
A esta altura do campeonato, corona game em campo
por 15 anos, muitas variantes e cepas depois, a transmissibilidade tornou-se campo
de extermínio.
No início, pensou-se em estabelecer punições para
quem furasse as regras do jogo de isolamento, mas a pouca sobrevivência destes
seres nos fez olhar para eles como fundamento de estudos de perfis, DNAs, tipo
sanguíneo ou o que quer que seja que faça alguns mais imunes que outros. E esta
foi a punição imposta.
Nossa adaptação tornou-se mote de estudos, em novas
tentativas, reiteradas e cíclicas. O intercâmbio entre grupos conviventes se
restringiu ao mínimo também ou quase se extinguiu. A máscara se tornou parte de
nós a ponto de não nos conhecermos mais, sem ela. E não temos ocasião de nos
vermos assim.
Não almoçamos juntos, não dormimos juntos, nem
usamos o mesmo banheiro. Uma casa de 4 quartos tem 4 banheiros e o álcool, ah,
este se tornou acessório essencial, item indispensável, a qualquer dia,
qualquer hora, com qualquer um.
As populações mais carentes do mundo inteiro, sempre
vítimas inevitáveis de qualquer cepa de acaso, viveram um processo de quase
extermínio, uma vez que o isolamento e as restrições sanitárias se faziam luxo
em seu campo. Mas aqui também, adaptar para sobreviver, e encontrou-se um jeito
de lidar cotidianamente com as faltas, de modo a não fazê-las o tal campo de
extermínio.
Nossa procriação, investindo na continuidade da
espécie, até que (UM DIA) derrotemos este vírus, em todas as suas possíveis
cepas, restringiu-se ao modo IN VITRO e as relações e trocas afetivas ao modo
virtual ou remoto. As relações nunca foram tão íntimas, e a um só tempo,
públicas, porque em rede.
O que você quer fazer, tem que falar, tem que
escrever, para o outro sentir e dar o troco, na mesma moeda, fala ou escrita.
As ações, por outro lado, nunca foram tão unilaterais. A masturbação ganhou
posições e acessórios como nunca por ser a única opção relacional analógica, de
todos, para todos.
Redes sociais de todas cores e todos os tipos,
variando por sexualidade, idade, língua, preferências sexuais, por geografia, por campo
de interesse absorvem nossas relações, sem, no entanto, esgotá-las. Não se
bastam, não nos bastam. Há sempre alguma coisa ausente.
Nos relacionamos virtual e remotamente, tanto no
ofício quanto na amizade, familiaridade ou intimidade e procriamos,
continuamos, IN VITRO. É a solidão buscando a solitude, sem alcançar, no
entanto, porque humanos, demasiado humanos.
Nosso futuro, este está na adaptação completa da
humanidade, vivendo-o inteiro na individualidade ou na derrota este vírus
anti-social e egoísta.
Cena e horizonte inóspitos, fica uma frase: “Vida
que te quero viva.” A saída deste imbróglio, vivos, um dia a gente acha!
domingo, 7 de fevereiro de 2021
CINEBIOGRAFIA DE GABO - INTERTEXTUALIDADE A TODO VAPOR
A memória permeou toda minha interação com a cinebiografia
de Gabriel Garcia Marquez, meu Gabo desde há muito, com a intimidade definindo
minha relação com o homem e sua obra. GABO – LA CREACIÓN de GABRIEL GARCIA
MARQUES - todos os seus livros citados ou ali descritos revolveram lembranças e
foi algo catártico, somehow, porque foram livros deveras significativos para
mim, cada obra a seu tempo, no meu momento.
Apesar de ter começado meio do avesso, só que não, cada
livro teve presença de fato nos meus dias. Comecei minha incursão por sua literatura
com 100 ANOS DE SOLIDÃO, que me enveredou através da complexa genealogia dos
Buendía, pelo realismo mágico e por muitas outras de suas obras. Do avesso,
porque o tamanho e a dimensão da família guardam alguma complexidade para uma
iniciante literária, junto a seu nascente estilo.
Me surpreendeu muito me lembrar de um trecho lido logo ao
início, falando de um tempo em que ainda não havia palavras, sendo necessário
apontar para designar.
Gostoso conhecer a origem da lendária MACONDO, que sempre
teve um lugar especial em meu imaginário, guardando certa magia, origem do
realismo fantástico em minha vida. Inspirado em Aracataca, vila diminuta nos
Confins da Colômbia, onde passou sua infância, guarda as cores do estilo reverberado
por ele.
Vida e obra do autor são descritas através de inúmeros depoimentos
e trechos de uns 10 selecionados romances. Para compor GABO, personagem de si; outros
personagens, agora de suas histórias, conversam ou narram intercaladamente,
promovendo uma intertextualidade latina fantástica e saborosa. Para ele a
literatura era algo que nunca podia estar apartado de suas relações e isto fica patente nos depoimentos.
Me causou particular (e surpreendente) boa impressão, os
depoimentos de Clinton sobre o autor e sua obra. Depoimentos de largo portfólio
de suas relações dão perfil largo ao protagonista porque visto de ângulos bem
distintos.
O filme bem sucede em sua tentativa de entender a estranha
história do menino nascido na pobreza em um vilarejo desconhecido dos confins da
Colômbia e alçado a destaque inconteste da literatura mundial.
Entre suas idas e vindas da Colômbia, Europa, Nova York e
México, em uma visita a Aracataca, pela
primeira vez, depois de deixar a cidade, teve a ciência da grandeza de sua
história e valor de sua experiência. Nós também, GABO, através de sua
literatura, os flashes de seus dias nos iluminam!









