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sexta-feira, 22 de setembro de 2017

doces resgates




Aprender a viver é que é o viver, mesmo. Riobaldo chegou  me contando, sorrateiro, e eu fiquei aqui, pensando, pensando e, depois, concordando.

Depois de tudo tanto vida afora, estou eu aqui em uma outra fase aprendizado à todo vapor, onde tudo que eu um dia soube ou conheci, se revela e se reconstrói desde o princípio e tem de seguir caminho completo, princípio, meio e fim, para que eu conecte, entenda, lembre. 

E é, de fato, uma delícia conseguir me entregar ao que, de alguma forma, se propõe novo em meus dias. Reconstrução.

E estar carregando a consciência comigo é um puta diferencial na maneira que consigo encarar todas as perdas (e ganhos). Me reconstruindo pessoa inteira, de opiniões e exclamações, vou aprendendo mais de mim. Concordando comigo e, algumas vezes, me permitindo um novo olhar, um novo querer, um novo fazer.

Polianamente, é um privilégio imensurável poder olhar para mim, concordar ou discordar, seguir no mesmo caminho ou mudar o percurso, avaliar do mesmo jeito ou virar do avesso a opinião; sem juízo de valor, sem questionamentos te contestando.  Eu sou é eu mesma, muito e forte, mas há momentos em que sinto eu mesma fora do eixo e deslocada.

Isto tudo tanto me veio hoje, agora, assistindo, outra vez  ‘As Bicicletas de Bellevile’. Me lembrava que gostei  da animação e, principalmente da trilha sonora, ponto.

Pois, peguei algumas garrafinhas de Serra Malte por companhia e me dei de presente outra imersão nesta película sui generis. Misturando traços artesanais e artifícios tridimensionais, Sylvian Chomet apresenta  uma produção sui gêneris plasticamente, onde Champion é um garoto solitário que só se sente bem em cima de uma bicicleta. Percebendo sua aptidão, sua avó começa a incentivar seu treinamento, para fazê-lo um verdadeiro campeão e poder participar da Volta da França, principal competição ciclística do país.

E o mais gostoso, além da trama e da trilha, absolutamente incontestáveis, foi, devagar ir nomeando situações e acontecimentos.  Minha memória tem se mostrado muito fotográfica e afirmativa. Se me contam que fiz, me lembro que fiz; mas se ninguém me conta nada, fico virgem de novo... em cada esquina de meu caminho. Tenho que saber para lembrar.

Hoje, pela primeira vez (quase dez anos depois) consegui me lembrar antes de ver qualquer coisa. Me lembrei do nome da avó do ciclista, a dona Souza e do cachorro dele, o Bruno. Me lembrei do regime quase militar de treinamentos que ela impunha ao neto, do apito e da alimentação dele.

E isto, para mim, é gostoso! Sinto prazer e abro um puta sorriso no peito a cada passo de meu caminho, cada degrau de minha escada, sempre, há 10 anos, vivendo e aprendendo. Isto é ser poliana. A minúscula!

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