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sexta-feira, 25 de agosto de 2017

poesia em imagens

Le Ballon Rouge



Com uma história poética, embebida em inocente lirismo e beleza plástica incomum, O Balão Vermelho encanta pela simplicidade da trama. Le ballon rouge” é um filme francês de curta metragem, de 36 minutos, lançado em 1956, dirigido pelo cineasta Albert Lamorisse.

Um garotinho de seus 5 ou 6 anos descobre, em seu caminho para a escola, um balão vermelho atado a um poste de luz e decide fazer dele seu amigo, descobrindo respostas nele e levando-o consigo para todos os lados, encontrando outras crianças, brincando, fugindo de perigos ou ameaças, a ele ou ao balão.

O detalhe é que a beleza do cenário colore o filme, já derramando tonalidades líricas pela simplicidade e leveza do roteiro. Paris, década de 50, imagens em algum espectro de gradação entre a cor e a sépia, dando um tom envelhecido, um garoto passeando por todos os lados, em meio a peripécias mil, com um grande balão vermelho. Ponto.

O contraste do vermelho do brinquedo voando com a cidade (Paris!) envelhecida ao fundo, faz de cada frame um quadro.

terça-feira, 22 de agosto de 2017

na miudeza do cotidiano




Em cenário da segunda guerra mundial, somos lançados em meio à história íntima de seus personagens. ‘Uma Praça em Antuérpia’, livro de Luize Valente, está me fazendo experimentar minha já sabida e reconhecida sensibilidade, por mares nunca antes navegados. A história e o drama dos outros sempre me comoveu, sim, adepta natural e sincera da alteridade, mas os dramas e conflitos daqueles que vivem a chaga da guerra, na miudeza do cotidiano, nunca foi um enredo em meus dias.

Diante das decisões oficiais, de onde bombardear, que pontos atacar ou destruir, novos aliados ou inimigos, ataques aéreos ou terrestres são substituídos por outras humanas como sair ou não para buscar alimentos, fugir para o Brasil ao final da gravidez, encontrar um ‘porto seguro’ em meio a insurgentes ‘campos minados’, como lidar com as crianças.

Os livros de história não apresentam estes problemas, nem as folhas dos jornais.

O livro de Luize Valente traz, em elaborada trama, a história de uma família de migrantes e, dentro dela, a eclosão da 2ª grande guerra como vetor de decisões quotidianas. Assim, com a guerra olhada de ‘dentro de uma família’, ela planta o horror em nossa intimidade por empatia ou alteridade, não sei. A riqueza de detalhes, em pesquisa histórica consistente, o ângulo do olhar, seus dilemas e humanidade trazem a essência de uma época em um romance histórico sensível e impactante.

Sua abordagem humaniza uma situação de guerra, tão formal e distante, no plano histórico; a reconstituição da desgraça imposta aos judeus na Europa. Com sua construção minuciosa do enredo, indo e voltando no tempo, em quase um século de história, com absoluta segurança, Luize nos prende em um enredo transbordando verossimilhança, pelo nível de detalhe e pelo humanismo das situações.

Em capítulos curtos, a sensibilidade pelo drama humano, unida à intensa e detalhada pesquisa histórica nos carrega em narrativa de tirar o fôlego e inundar de emoção. Além de tudo tanto descrito acima, li que o final é surpreendente. Bem, ainda não sei. Então, deixa eu voltar para Antuérpia!

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

quebra cabeças identitário


Rosa Montero, uma das referências que marca minha memória e cujo livro dá nome a este blog, a certa altura afirma que nossa identidade reside na memória.  Hoje, posso dizer que concordo absolutamente porque vivo isto, ao dia. AS memóriaS são peças fundamentais de nosso quebra cabeças identitário. Eu, que passei  pelo extremo da absoluta privação feita lacuna da memória, estou vivendo e confirmando tal fato.  A ordem dos fatores é absolutamente questionável, mas que memória e identidade se relacionam intensa e intimamente, se definem, determinam, limitam ou se amplificam, isto hoje pauta e colore meus dias.  

Pauta através de ocorrências cotidianas, evidenciando sua relação íntima, e me mostrando por A + B que são, os dois, memória e identidade, parte de uma mesma equação na definição do eu. Colore ao me presentear com o prazer extremado de me redescobrir e reconhecer em cada nuance revelada pontualmente por uma memória, há tempos, reconstruindo seu caminho .Devagar, e sem qualquer mapa por seguir, sem qualquer dica do que eu fazia, do que eu seguia,  vou me entregando a hábitos e escolhas que já eram minhas.  Já eram parte do que sou. 

Se minha identidade é quem vai me devolvendo a memória, por me reconhecer novamente em pedaços de meus dias, em peças de teatro, em filmes, em música, sobretudo, em arte, em pratos cozinhados, em leitura… Ver, ouvir, ler, e sentir uma conexão tão absoluta com tudo aquilo e assim, me entregar de volta ao que já era parte de mim.  Ou se a memória é que vai me devolvendo a identidade, por me lembrar do que gostava e me entregar de volta a meus prazeres de antes. São duas equações possíveis, fatos de meu dia a dia.

Voltar a viver coisas que sempre gostei, racionalmente, na base da escolha consciente. Ou uma escolha inconsciente desaguando na memória do prazer.

Enquanto alguém com vivência prática no tema, acredito, hoje, na escolha inconsciente desaguando na memória do prazer. Por que vivo isto quotidianamente. Começo a ouvir um som, viajar na música, na letra ou arranjos e sou posteriormente informada que já curtia muito isto antes. Vejo um filme e mergulho totalmente naquela linguagem. O filme me tira o chão. Na sequencia, descubro que estava entre os meus favoritos. O paladar... experimentando um prato, me identificando com os condimentos e especiarias, me informam que eu gostava muito e já cozinhei, inclusive, para os amigos de prato e música, tão frequentes, e essenciais, em meus dias.

E  aí, a recíproca passa a ser verdadeira. Você se certificou de que uma vez construída, a identidade permanece.  Então passa a investir em tudo que te contam que você gostava ou que você ‘era’. Assim,  me descobri detentora de um playground imenso em termos de literatura, cinema, música, culinária.  Tudo que faz parte do conjunto AVA. Tudo que eu gostava, admirava, adorava e que eu sei que agora vou me entregar de novo. 

Assim, minha conclusão é que é uma via de mão dupla. Memória atua na formação da identidade e identidade atua muito na ‘re’constituição da memória e tudo isto, junto e misturado, deságua em Guimarães Rosa, na minha definição particular, meu marco pessoal identitário: EU SOU É EU MESMA, ponto de exclamação!


eu mesma!

quarta-feira, 15 de março de 2017

porque virou sentimento meu

Chorei, do choro chorado com lágrimas, com os lampejos na memória do amor Rosa que amei fatal, Riobaldo e Diadorim.

Um delicioso aperto no peito pela lembrança da beleza, da poesia do autor e também, mais amiúde, da poesia, lirismo e significado da 'intérprete'...

Aperto grande, pela memória inconsciente de cada expressão de modo e sensação, de cada referência e maneira de dizer deste, cada nova palavra traduzindo todo sentimento. Deste que foi e continua, meu maior livro, minha melhor poesia e o primeiro sopro de minha memória depois de tudo tanto, porque guardado antes no coração. Grande Sertão Veredas, apaixonante no ‘descomum’ da demais beleza do simples do sertão. Quero de volta este tanto sentimento!

Assim, com estes flashes luminosos 'vezenquando', vou alimentando esta querência louca e infinita de me reconstruir na completude da inteireza pelas lembranças que são pedaços meus! 'Desesquecer' e trazer aqui para dentro, no meio de tudo que me define, esta filosofia inteira feita poema ou este poema filosófico... do sertão... Além de todo o resto que me foi tirado,
em período de demasiados e crescentes voos pelo 'desmundo', mas que ainda me faísca o peito e o pensamento em perdidas e desavisadas lembranças!


Rosa deixou de ser 'livro', deixou de ser uma estória e virou sentimento meu...

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

garagem feita palco

Com uma primeira iniciativa surgida ao acaso, grupo Ateliê do Titetê promove descentralização da cultura via apresentações teatrais em garagens BH afora!

Trupe completa de frente ao espaço cênico: a garagem!

Nascido ao acaso e prontamente vitorioso, o projeto Garagens Periféricas, com improviso e protagonismo do público, vem contando, nos palcos histórias de descentralização da cultura.

A ideia surgiu na surpresa. Em uma apresentação, em parceria com a Cia Faminta de Teatro, em uma festa beneficente, todos prontos, a tempo e à hora, não havia local para a peça. Artistas sem palco, conseguiram a cumplicidade de uma senhora vizinha para se apresentarem na garagem de sua residência e seu banheiro como camarim.

Alguns meses depois, abriu-se edital na Fundação Municipal de Cultura de Belo Horizonte, o novo Descentra Cultura. Daí, caldo quente, farinha nele! Deram  nome ao recente improviso de sucesso, fundamentaram e formataram.Ele obteve a maior pontuação dada pela COMIC, Comissão Municipal de Cultura de Belo Horizonte e assim nasceu o "Garagens Periféricas" do Ateliê Titetê, coletivo de palhaços e palhaças..

A recepção da vizinhança foi surpreendente. Os vizinhos, além de comparecer para assistir às
garagem periférica (!)
peças,oferecem bebidas e pratos, estabelecendo vínculos de carinho e compartilhamento. Outro aspecto relevante, são as ligações telefônicas de pessoas oferecendo as garagens de suas residências para futuras apresentações. O morador oferece a garagem, que é utilizada como espaço cênico e dependendo de seu tamanho, comportando apresentação e público, em um mesmo patamar.

E aí, neste vínculo que se estabelece, os moradores são considerados não apenas plateia, mas, promotores da cultura no entorno de suas residências. Além de ceder espaço, energia elétrica, água​ e um lanche para os artistas, eles divulgam as apresentações, que são planejadas com a devida antecedência. 

Falando de futuro, vêm tentando encaixar o projeto em editais. Em 2017, seguindo seu caráter de descentralização, o levarão a periferias de cidades do interior de Minas Gerais e na busca de parceiros que possam nos patrocinar. Microfone (ou melhor, caneta) nas mãos de Cícero Silva, líder do projeto:  “E se você que lê essa matéria, quiser nos ajudar, entra em contato conosco. Eu não sei se posso deixar o endereço?!? atelietitete@gmail.com​” Pode sim, Cícero! Taí, pessoal, atenção!

O retorno maior que esperam é a participação efetiva do público comparecendo para assistir às apresentações, o que vem acontecendo. Esperam ainda, encontrar apoiadores (empresas e entidades públicas e privadas) que os ajudem a manter o projeto por muitos e muitos anos.

Com vocês, descentraliza cultura!

 Como artistas, levam desta ‘jornada’, a certeza de que "todo artista tem de ir aonde o povo está", como realizadores e produtores culturais, o aprendizado de que a formação de público no Brasil, deve sempre considerar outras lógicas de produção que contemple e garanta o acesso das populações menos privilegiadas economicamente, porque todas as pessoas tem direito ao prazer proporcionado pela arte.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

transpondo universos

Com açúcar, com afeto e aprendizado!

A Louca que vos fala, em trabalho com a Awesome Foundation MG, descreve projeto vencedor do mês de outubro e entrevista responsáveis por sua realização. A Awesome Foundation é uma comunidade global dedicada a disseminar projetos incríveis com um incentivo mensal para a melhor idéia, a cada mês!


Projeto INTERAÇÃO FAMÍLIA X ESCOLA: UMA RELAÇÃO NECESSÁRIA 
Ganhador do prêmio da Awesome Foundation MG -  Out 2016.







Promoção da afetividade e do diálogo entre pais e filhas, em um contexto (culinário) de aproximação com a família. Este é o mote de projeto interdisciplinar desenvolvido pela E.E. Serra do Salitre. O projeto ‘Interação família-escola, uma relação necessária’ consiste em ensinar a cozinhar, ligado à promoção do desenvolvimento de outras habilidades voltadas para os conteúdos estudados pelos alunos em sala de aula, através da interdisciplinaridade. E cada uma das alunas leva o prato elaborado para degustar com a família.

Conforme nos conta Mariney Fátima da Silva, diretora da Escola e líder do projeto, com esta ação, esperam promover um momento de afetividade e diálogo entre pais e filhas. No dia da aula, uma mãe participa para auxílio e acompanhamento. Ficam no aprendizado, no paladar, nos sentidos todos e no afeto a memória destas imersões culinárias.

O projeto combina a participação de 15 alunas selecionadas entre aquelas com problemas de convivência com a família ou no ambiente escolar, que vivem alguma situação de risco e outras que participam efetivamente das ações desenvolvidas na escola e demonstram um bom relacionamento com todos. Uma vez por semana, é elaborada nova receita.

De acordo ao que nos contou a diretora Mariney, já foi observada uma mudança significativa entre as alunas, em relação ao comportamento e à aprendizagem. O recurso premiado será utilizado na compra de ingredientes para confecção de novas receitas para as alunas degustarem com suas famílias e, ainda, para a elaboração de um livro de receitas, histórico do projeto.

Abaixo, entrevista dada pelas vice-diretoras da escola, logo após tomarem conhecimento de terem sido eleitos o projeto Awesome de Outubro em Minas Gerais.

1) Que retorno vocês esperavam? Do projeto em si e ao participarem desta premiação?

Através da observação da realidade do cotidiano escolar diagnosticamos que a maioria dos problemas e dificuldades que enfrentamos em relação à indisciplina está relacionada a ausências da família no ambiente escolar. Esse é o nosso maior retorno (…)

Diante do que já presenciamos, com os alunos das séries finais do Ensino Fundamental, verificamos a necessidade de desenvolver esse projeto com as famílias dos nossos alunos, para que possamos construir uma relação dialógica, crítica e libertadora no sentido de conscientizar a todos que a escola não é a única instituição responsável na construção de seus filhos, ela é parceira da família na construção desse ser em formação. Ao participar deste Projeto e desta premiação, a Escola busca novas parcerias para ajudar na compra e aquisição do material para elaboração das receitas. …

2) E que retorno têm tido?

Já foi observada uma mudança significativa no dia — a — dia das alunas participantes. Além do comportamento, tivemos êxito no interesse e no aprendizado. O retorno maior disso tudo é que através deste projeto, junto às parcerias, promovemos a integração, troca de experiências, bem como atualização e discussões sobre a importância e aproveitamento do mesmo. E que as ações apresentadas são relevantes para o processo de desenvolvimento integral tanto dos alunos quando das famílias e de toda a comunidade escolar.

Neste sentido, a relação Escola x Família é imprescindível à melhoria dos índices da qualidade da educação. A família como espaço de construção da identidade dos cidadãos, firmando parceria com a escola, para juntas promoverem a consciência social crítica, participativa, responsável, humana e fraterna tanto no seio familiar com no espaço escolar.
Outro retorno que ora nos traz muita satisfação, as famílias participarem do processo da construção do projeto e semanalmente estarem presentes nas aulas de culinária, auxiliar e acompanhar o nosso trabalho.

3) Como foi a idéia do projeto e desta interdisciplinaridade, somando afeto a distintas áreas do conhecimento?

Este projeto se idealizou em conjuntura com a equipe da escola que objetiva promover a participação efetiva da comunidade escolar através de parceria com os pais, entidades de voluntários e outros segmentos da sociedade, buscando criar condições para promoção de uma educação construtiva, interdisciplinar e justa através de um trabalho coletivo e educativo.

4) A interação com a família, foi positiva? Como foi afetada?

As famílias participaram do processo de construção do conhecimento de seus filhos, fazendo que o ensino aprendizagem seja fator relativo dentro do projeto no cotidiano das aulas de culinária. Semanalmente, uma mãe participa para auxiliar e acompanhar o trabalho desenvolvido com as alunas. Essa influência retorna de forma positiva.

5) Como vocês sentem o comportamento das crianças, pós projeto? Alguma mudança?

As alunas se sentem mais estimuladas e entusiasmadas ao realizarem as atividades durante as aulas. Superaram preconceitos e baixa autoestima, resgatando seu fortalecimento, a fim de aproximá-lo dos princípios desenvolvidos na escola como solidariedade humana, respeito, democracia, inclusão através da integração dos conteúdos após a realização das ações evidenciadas no projeto.

6) Ganhar este prêmio os estimula, de alguma forma, a novos projetos com os alunos?

Receber esse prêmio foi uma vitória para a escola. Pretendemos inserir o mesmo em outras turmas e com outras alunas. Esse prêmio vem nos estimular a crer que os sonhos não se censuram. Era um sonho de nossa Diretora Mariney Fátima da Silva Ribeiro e hoje ele se torna realizado. A escola, sim, realiza vários e bons projetos na área educacional da aprendizagem, Feira de Química e Física, o projeto batido do coração, que integra APAE e escola, Prosa e Poesia, Café com Prosa, dentre outros. Consideramos que angariar essa verba, será um motivo a mais para que toda a escola se envolva integrando a escola, família e entorno.

7) Que aprendizado vocês tiram deste belo projeto?

Extraímos deste projeto, que vem sendo realizado na Escola Estadual de Serra do Salitre uma observação:nos dias de hoje, apesar de ser um mundo tecnológico, descobrimos que muitas pessoas têm aptidão para a culinária, ao mesmo se não tem essa aptidão se agrega no cotidiano da pessoa de forma prazerosa. Desenvolver um trabalho focado na arte de aprender a cozinhar requer compromisso, organização, paciência e acima de tudo amor(…).

Descobrimos que essa forma de se trabalhar, realizando a aula de culinária na escola e levando o que se foi feito para casa para família degustar, estabelecendo um diálogo entre a família, aluno e escola. Vem transpor uma alta relação de vivência. Essa ação, veio promover um momento de afetividade e diálogo entre pais e filhas. Essa prática de parcerias e de voluntariado inserida no projeto é uma forma de levar o nosso aluno à oportunidade de viver e conviver com pessoas do nosso entorno ou da nossa sociedade a qual não temos muito costume.


A Associação Nossa Cidade é um movimento para empoderar cidades. Semeamos juntos o dia em que todos viverão bem, em comunidades abundantes de um planeta saudável.
A Awesome Foundation Minas Gerais é um programa independente apoiado pela Nossa Cidade em que um grupo de pessoas empenhadas em apoiar projetos que sejam INCRÍVEIS se reunem para financiá-lo. Quer iniciar um grupo do Awesome Foundation em sua cidade? Saiba mais aqui!



Poliana Guerra (autora)

Poliana é associada-coordenadora da Nossa Cidade e cuida da geração de vínculos da associação. Na Awesome Foundation Minas Gerais, cuida da divulgação dos projetos incríveis que financiamos para todo o mundo! Ela é mãe de Lourenço, vive em Nova Era e seu super poder é agregar pessoas.




quarta-feira, 30 de novembro de 2016

dejà-vu musical

Estava na iminência de começar estes escritos com um jargão: ‘depois de longo e tenebroso inverno’, contextualizando minhas (agora) recorrentes ausências, mas não, desisti. Não cabe, não traduz bem o que quero significar.

Longas e recorrentes, sim, mas ensolaradas, porque cheias de vida! Meu filho ora me enche os dias e todas as suas horas com seu existir, apenas. Apenas, não por ser pouco. Apenas por ser minha única justificativa. E tudo tanto se justifica no seu sorriso.

Mas voltando ao mote inicial, razão deste meu retorno, falemos, once again, de alguns meus resgates pós acidente, pós perda da memória, pós tudo! Ainda estou neles, ainda os vivo e, poliana que sou, mais do que nunca, alguns me dão um prazer de fato imensurável.

E o representante primeiro e maior destes resgates feitos prazer é a música. Ouvir novamente referências antigas, das quais não me lembrava e que, no entanto, reconheço prontamente, é um prazer quase catártico!

Alguma espécie de dejà-vu, misturado a uma sensação de pertencimento. Afinal, aquilo é, de alguma forma, parte de mim. Me embalou, me emocionou, me dirigiu o pensamento ou as emoções, me levou a alguma atitude, sei lá em que medida, mas minha relação com a música sempre foi deveras desmedida. Intensa e identitária.

Estou sempre às voltas com letras que me legendam tempos e sentimentos. E as encontro. As ouço e as canto e conto para todos ao meu redor. Da canção e da conexão.

Dia destes, estava vasculhando minha inbox à cata de emails específicos e, entre busca e outra, encontrei um dos muitos tijolos de minha construção particular.

Um tijolo feito lista de bandas, grupos, músicos, músicas que ouvia e gostava muito. Uma entre as várias listas, referências e apontamentos relativos ao meu gosto que pedi ao círculo mais próximo (de afinidades, importante frisar!) e que, junto às descobertas e aprendizado foram me reconstruindo, tijolo por tijolo.

É muito interessante meu nítido hipertexto relacional x cultural no que venho me trazendo, me fazendo e aprendendo vida afora. Meu gosto traz o nome de muitos amigos, o gosto dos outros me leva a outras paragens... e me faz buscar mais, querer mais... músicas, músicas através de pessoas, pessoas através de música, em uma equação sem fim.

Pois, esta história toda me veio à cabeça em segundos, segundos após reler um email de uma minha conexão significativa, cheio das referências musicais, memórias do meu gosto. E veio por isto: