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sábado, 7 de julho de 2012

o som e a fúria

Em uma peça de texto denso e de bela  e sofisticada ‘retórica’ clássica, Gabriel Vilela nos traz Macbeth, tragédia  que conta a saga de um cavaleiro que defende seu reino em batalhas, muitas, mas cede à ambição e  mata indiscriminadamente para se tornar rei na Escócia.

E a peça nos entrega o tom clássico que o texto pede. Tanto na sofisticada produção, nos  detalhes, quanto na atuação. É este tom que dá ritmo ao texto, às atuações, à cenografia e às falas. E à paisagem 'cheia de som e de fúria' que o autor pinta.

E como bem pede Shakespeare, na história de sua produção, esta Macbeth, também, só traz atores do sexo masculino. Papeis femininos representados por atores porque, à sua época, mulher tinha seu campo de atuação limitado à área entre o tanque e o fogão.

Um outro filho deste mesmo pai é a presente figura do narrador que ‘traduz’ a estória para o espectador, convocando-o a imaginar o que acontece nas seqüencias a despeito de uma interpretação realista do que vê.

Responsáveis por um tom de graça são as feiticeiras com suas profecias que quebram, por vezes, a gravidade do texto, da estória, trazendo risos onde não o imaginávamos caber.

A peça é pontuada  pela boa atuação de Marcelo Anthony, pelo belo e denso texto e por uma produção 'eloqüente', que fala por si.

E uma música, elegante e modernamente, dá o tom do fim com a morte de Macbeth.




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