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sábado, 30 de junho de 2012

por extensão lógica



A referência, quem me trouxe, foi Arnaldo Antunes. Meses atrás, em show no antigo Cine Bombril (hoje, cinema da Cultura, literalmente),  ele nos apresentava Cláudia Dorei.

Saber que ela seria apresentada por ELE foi o suficiente para que eu quisesse conhecer seu trabalho, 'REspire'. Respirei e gostei. Levei aquele som comigo e a outras pessoas.

Já alguns meses à frente do Bombril, passeando os olhos pela programação mensal do SESC com ares e intuito de lista, me deparo com Dorei. Mas não era ela sozinha, um espetáculo solo, como dita o vernáculo do show biz. Dorei com uma tal Malika traço One.  Assim: Malika – OnE.

A moça que Arnaldo me apresentou, apresentaria, também, alguém. Por extensão lógica, deduzi que devia ser bom.

Fui. E o espetáculo me trouxe saborosas surpresas.

Surpresa número um: Malika não é alguém. I mean, não é alguém com ‘existência própria’, digamos. Ela é o alter ego ‘eletrônico’ da Dorei. Uma espécie de miscigenação artística que nos traz música e artes visuais, tudo ao mesmo tempo agora.

Surpresa número dois: o estilo. Dubstep com influências do jazz. Uma produção eletrônica sofisticada somada a uma sonoridade que vai além do ritmo, uma voz delicada e um saboroso trompete. Tinha algo de hipnótico.Algo que me levava a BJORK.

Deliciosa e inusitada surpresa.  A-Dorei Malika!!!!!

P.S.: OnE é o nome do espetáculo e futuro álbum da Malika.

quinta-feira, 28 de junho de 2012

um convite irresistível...






De passagem pela Augusta, à caça de algo cultural que me completasse a quarta, sou gentilmente convidada por Roman Polanski a chegar ao Cine Livraria Cultura que ele mesmo se comprometia a me dar a peça que faltava em meu quebra-cabeças do dia. 

Assim, optei por seu mais novo filme, em cartaz ali mesmo, na  'National Gallery'.

'O Deus da Carnificina' nos mostra um casal que está em visita a outro porque seus filhos brigaram e um feriu o outro. No início, ‘eloqüentes’ máscaras sociais  dão o tom da conversa. É um teatro de falas, caras e bocas previsíveis.  Todos teatralmente amigáveis e notoriamente com os nervos à flor da pele.

Mas a certa altura, estes mesmos nervos explodem.

E aí os casais se despem de toda e qualquer máscara social, se revelando crus, rudes, grosseiros, vulgares. Em uma querela em razão de briga de filhos em idade escolar os casais descascam o verniz da civilização com tantos requintes de selvageria que a situação, explosiva, se torna divertida. É  a ‘carnificina’. Moral.

A trama se desenrola em hora e meia em um mesmo cenário e não provoca afinidades ou desgostos.  Apesar das boas atuações não se conhece direito os personagens e não se torce por ninguém.

É, um bom filme. Mas não chega a ser um Polanski (!)

sexta-feira, 15 de junho de 2012

'pinico' panela - percussivamente inventivo




De visita a Belo Horizonte, dia desses, fico sabendo de um evento, para mim, inusitado e interessante, O FITO – Festival Internacional de Teatro de Objetos.  E aí dentro deste universo, pequeno e material,  fui surpreendida pelo espetáculo PINIPAN, conduzido por Naná Vasconcelos.

Saborosa e originalmente inventivo, PINIPAN, acrônimo de ‘pinico’ e panela, nos trazia releituras de músicas tradicionais de nosso cancioneiro e de clássicos. E eram os tais objetos, os do festival, nos fazendo música em percussão lúdica e cromática, composta por baldes, ‘pinicos’, panelas, bacias... Um espetáculo inteiramente à caráter para a ocasião a que se propunha.

E Naná ali nos mostrou com muita clareza que a percussão é mesmo a mãe do experimentalismo musical. E através dela, ele amplia, uma vez mais, seus limites artísticos se mostrando protagonista nesta busca permanente pelo novo.

“Eu tenho pavor de ficar na mesmice. Estou sempre experimentando as coisas, estou sempre procurando, buscando...”

E nós, Naná,  é que somos surpreendidos... e presenteados com os resultados desta tua permanente sede do novo.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

eu te darei o céu, meu bem



Diversão, passatempo, regozijo ou qualquer substantivo, ou mesmo adjetivo, que denote prazer.  Simples assim! Com clássicos do Rei muito bem conduzidos por China + Mombojó,  o  Del Rey, proporcionou  passeios deliciosos pela memória. Em show no SESC Vila Mariana, me embriagaram as boas lembranças familiares que a música do Rei me traz. Uma espécie de deja-vù saboroso e retrô. 

sábado, 9 de junho de 2012

gramática do corpo


Em poética incursão pela dança, Antunes Filho nos traz ‘Foi Carmem’.

Frente a arquétipo tão forte de nosso ideário, Carmem Miranda, Antunes Filho nos propõe uma desconstrução de todo e qualquer paradigma em termos de linguagem narrativa. A base do trabalho não é textual e a palavra dá lugar à expressão do corpo.

Nesta ‘dança-teatro’, a linguagem é intuitiva e se revela por meio de gestual, expressões, inflexão da voz, vestuário e adereços.  É a linguagem narrativa na ‘gramática de nosso inconsciente coletivo’, como nos conta o próprio Antunes.

É uma montagem sem palavras onde o diretor faz ainda uma homenagem ao dançarino japonês Kazue Ohno, em comemoração a seu centenário.  E nos custa fazer tal conexão,  samba e butô, ainda que, coreograficamente haja, efetivamente, um momento de união.

Em enredo mínimo, estamos  de frente a uma menina que sonha ser Carmem Miranda, dando seus passos para tal, literalmente.  Em um segundo momento, vemos um vulto sempre de costas. FOI Carmem… A música, no entanto, persiste nos LPs.

Estimulante e intrigante porque linguagens que se misturam, se entendem e se expressam no corpo.